Produtividade – o descanso.

Há pessoas que afirmam que se pudessem nunca descansavam. Se fosse possível até abdicariam de dormir para poder estar sempre a realizar coisas novas e passar de uma conquista para a outra. Não querendo discutir se isto é desejável, creio estarmos de acordo que não é possível.

Como a música sem pausas seria um barulho irritante também na nossa vida o descanso desempenha papeis fundamentais.

O descanso serve para integrar as experiências. Muitas vezes a nossa velocidade de acção não nos permite processar tudo aquilo que estamos a viver: as razões dos nossos comportamentos, as atitudes em relação a um ente querido, a forma como operacionalizamos os nossos planos.

Numa sociedade cada vez mais acelerada podemos ter dificuldade em encontrar tempo para o descanso que cada vez mais tem que ser procurado de forma intencional. Será que ficar deitado na cama antes de dormir é considerado descanso? Almoçar a trocar mensagens continuamente é descanso?

A presença de ecrãs na nossa vida é uma evidência. No entanto os investigadores afirmam que estão a ter um impacto enorme na forma como (não) descansamos. As luzes de ecrãs são estimulantes que nos dificultam, por exemplo, o sono. Por isso, muitas pessoas já estão a adoptar desligar o telemóvel duas horas antes de ir para a cama. Isto traz uma qualidade de sono radicalmente superior.

Quando fico a processar emails até há hora de dormir e por vezes ainda na cama, vou activar todas as áreas do meu cérebro que estão dedicadas a esse trabalho e o ficarei a processar sub-conscientemente todas essas tarefas. Resultado: acordar cansado e sem energia na manhã seguinte.

Para quem está a trabalhar em tele-trabalho é importante ter em atenção que limitar a área de trabalho e arrumá-la sempre no fim de cada dia de trabalho é uma óptima estratégia para eliminar os gatilhos mentais que fazem com que estejamos continuamente a pensar em trabalho. Olho para a secretária e penso: “tenho que enviar aquele relatório ao chefe.” “ainda não respondi com aquele preço”. Numa época em que o trabalho já não fica só no trabalho, precisamos de nos proteger desta sobre-estimulação. Sugiro até que pegue no seu portátil e telemóvel de trabalho e que os coloquem na mochila. Isto tem um efeito simbólico como prático. Simbólico porque delimita a linha de tempo onde acabou o trabalho e prático porque limita os estímulos que lhe activam o cérebro para as tarefas e que o põem numa jornada interminável de trabalho. Se não tiver escritório pode também cobrir com um pano ou um biombo a área de trabalho para não ter que estar em contacto, durante o período de descanso, com essa área da sua vida.

Consta-se que o Newton descobriu a famosa teoria da gravitação universal quando dormia e que grandes descobertas na humanidade foram feitas em períodos de ócio ou de descanso. Esta ideia que a melhor forma de chegar aos objectivos a que nos propomos é “trabalhar, trabalhar, trabalhar” não é a mais correcta.

Como curiosidade as ondas theta são produzidas pelo nosso cérebro e são características de fases do sono REM. Estas ondas estão associadas à criatividade e há até criativos que forçam esta zona charneira entre sono/vigília para estimularem a sua criatividade. Isto também acontece muito nos banhos de água quente quando deixamos fluir o nosso pensamento e acabamos por sintonizar ideias super interessantes.

Talvez as formas mais comuns de descansar contemporâneas não sejam realmente descanso. Ver televisão. Estar no computador. Fazer scroll num qualquer feed do telemóvel. São formas passivas que acabam, subrepticiamente, por nos deixarem ainda mais cansados.

Uma das forma de descansar melhor é fazendo o chamado descanso activo. Quando fazemos desporto, aparentemente ficamos mais cansados, mas acabamos por descansar melhor. Precisamos de libertar energia e com isso ficamos muito mais tranquilos e menos agitados. Cansar o corpo para descansar melhor. Não é o que acontece com as crianças que brincam ao ar livre o dia todo? Podemos dançar, jogar futebol, ténis ou andar de bicicleta. Escolha o que gosta mais e varie se gostar de variar, mas faça desporto pelo bem do seu descanso. Quando fazemos arte acontece o mesmo. Fazer arte é pôr para fora de nós algo que está a precisar de sair para o mundo. Enquanto tiver isso dentro de mim vou estar inquieto. Há algo de particularmente tranquilizador nisso de transformar a realidade de acordo com os meus desejos. Seja pintar, performance, desenho, música. Em qual forma de arte o seu organismo está a pedir para se expressar? O que é que tem para trazer de único ao mundo e que está a precisar mesmo de sair. Não há uma fórmula sobre o que resulta melhor, vai ter que descobrir mas asseguro-lhe que quando voltar a criar vai andar muito mais descansado.

Aceitar que um dia é só um dia e que amanhã será outro novo, que não precisa de fazer tudo de uma vez e que todos os dias são para aproveitar na sua totalidade, fazer planos e preparar tarefas mas não se preocupar com o futuro, confiar que tudo correrá como tiver que correr e comprometer-se com ser plenamente a pessoa que é, são outras dimensões que vão contribuir muito para o seu descanso.

Só uma curiosidade: há quanto tempo não faz uma sesta?

Pare de se enganar.

Uma das principais razões pelas quais as pessoas estão infelizes nos dias que correm é muito simples: elas mentem a elas próprias.

Há muitas razões para que as pessoas se mintam a elas prórias e acontece nas mais variadas dimensões da vida das pessoas: relacionamentos, vida profissional, saúde, espiritualidade, finanças, etc.

Vamos dar um exemplo: comecei a namorar com uma pessoa e há algo em mim que me diz que aquela pessoa não me vai fazer feliz. Entro em contacto com esta verdade com um sentimento ou um pensamento do género “Esta pessoa não me faz feliz” mas automaticamente me pergunto “E quem é que eu vou encontrar para me fazer feliz?” “Como é que eu me vou aguentar sozinho na vida?” “Com quem é que eu vou ter os filhos que desejo?” “Quem é que me vai dar a atenção que ele me dá?” “O que é que eu faço ao terreno que já compramos juntos para construir a casa?”

Podemos dar o exemplo contrário também. Uma pessoa que sente realmente dentro de si “Esta é a pessoa que eu amo!” mas depois pergunta-se “E como é que ela me vai dar o estilo de vida que eu ambiciono?” Ou ” Como é que eu vou ter a liberdade que desejo?”

No campo profissional há imensas pessoas que sabem que não estão no emprego certo, o número de pessoas que se levanta de manhã desejando que o dia passe a correr é assustador. A maioria das pessoas não deseja ir trabalhar, melhor, deseja não ir trabalhar. Quando pensam e sentem “Este emprego não é para mim!” igualmente surgem uma série de questões: “Como é que eu faço para pagar o aluguer?” “Como vou alimentar os meus filhos?” “Como é que eu ganho dinheiro para as minhas férias?” “Como mantenho o meu estilo de vida?” “O que é que eu vou fazer com a minha vida profissional?”

Todas estas situações tem algo em comum: a princípio fica claro o sentimento de uma verdade “Esta pessoa não é para mim.” “Este emprego não é para mim.” e depois uma série de questões cuja resposta não sabemos. Quando temos estas dúvidas, estas perguntas que não conseguimos responder, podemos correr o imenso risco de nos mentirmos a nós próprios e tentarmos dizer que a intuição que sentimos dentro de nós não é verdade. Há uma solução para isto. Um processo como solução, não é uma solução imediata mas tem efeitos altamente transformadores no curto/ médio prazo.

Em primeiro lugar, segura essa verdade com força. Aceita o que é verdade dentro de ti. Em segundo lugar, aceita a ignorância quanto ao futuro. Nunca sabemos o que a vida nos vai trazer e isso é muitas vezes ansiogénico e perturbador. Se quisermos controlar tudo corremos o risco de negar uma das maiores realidades da vida que é o facto de sabermos muito pouco sobre o nosso futuro. Temos pouco poder de controlo sobre o nosso futuro. É possível aguentar estas duas realidades na nossa mente ” Sei que esta relação não é para mim embora não saiba como me vou realizar em termos amorosos” “Sei que não quero este emprego embora não saiba como me vou realizar profissionalmente”.

A verdade é libertadora. Quando aceito aquilo que penso e sinto acerca de determinada situação ou pessoa, mesmo não sabendo como devo agir imediatamente, dá-me o poder de ser autêntico e começar aos poucos a construir uma realidade que é a que quero para a minha vida.

E você? Que verdades é que anda a esconder de si mesmo por não saber o que fazer com elas?

A solução para a solidão.

Ficamos todos espantados quando vemos o caso de Akihiko Kondo que casou com uma boneca de realidade virtual. Um holograma, por assim dizer.

Esta é uma das manifestações mais cabais da solidão que vivemos nos nossos tempos nas sociedades mais industrializadas. As pessoas deixaram de ter pontes umas com as outras. Neste caso do Japão perto de 50% das pessoas nunca tiveram relacionamentos sérios e muitos revelam o namoro como incómodo. É realmente preocupante a solidão pela qual passam estas pessoas, fenómeno cada vez mais crescente na sociedades mais “ocidentais”.

Será que as pessoas já não se sabem relacionar?

Algo de comum a alguns dos meus clientes é acharem que não vão ser compreendidos na comunicação com o outro. Aqui me parece que a psicoterapia é um processo da maior importância. Por exemplo, na terapia centrada na pessoa, a compreensão do outro e a devolução dessa compreensão é chave no desenvolvimento do cliente. A pessoa sente-se compreendida pelo psicoterapeuta e isto aumenta a sua esperança de vir a ser compreendida pelos outros.

Os resultados são incríveis. A psicoterapia é o primeiro passo para se poder relacionar bem com os outros. O primeiro passo para voltar a pertencer à humanidade.

Coaching executivo em empresas

Nos tempos que correm, perguntem a um empresário qual é o maior activo da sua empresa e ele dirá necessariamente que são as pessoas. Efectivamente são elas que fazem a diferença. Por mais avanço que tiverem na psicologia se não tiverem as suas pessoas capazes de produzir resultados, nada feito.

E o que é isto de termos pessoas capazes? É certamente dotá-las das capacidades técnicas que permitam lidar de forma ganhadora com as suas tarefas. O que acontece é que nos nossos dias, de rápida disseminação da informação (artigos, vídeos, podcasts) é muito rápida e eficaz pelo que rapidamente toda a gente fica ao mesmo nível.

O que é que vai então neste momento diferenciar as pessoas. No meu entender são as competências suaves, as chamadas soft skills.

Esta semana recebi um cliente que me pediu ajuda porque embora se considere muito competente tecnicamente, neste momento, a evolução na sua carreira exige-lhe que se desenvolva na dimensão relacional. Dificilmente será um líder com resultados se não conseguir comunicar a sua vontade com clareza, dizia ele. Perdido entre o passado e o futuro, tem dificuldade em estar presente e isso ressente-se, principalmente nas novas tarefas.

Coaching e desenvolvimento pessoal são as melhores ferramentas que temos para ajudar um comercial, por exemplo, a automatizar as suas tarefas, poupando uma hora por dia ou então a conseguir voltar a um cliente que o trocou.

Muito mais do que ensinar o papel de um coach é criar as condições para que o potencial imenso das nossas pessoas se transforme em acção. Só nos falta isso aos portugueses: um pouquinho mais de acção. Potencial já temos nós de sobra.

Um psicoterapeuta a projectar uma ponte?

A minha experiência em coaching psicológico e psicoterapia individual e com grupos, faz-me chegar à conclusão que a aprendizagem da facilitação destes processos se assemelha bastante ao processo de aprendizagem do andar.

Para quem vê um adulto comum a andar parece uma manifestação da simplicidade. Porém, ao pensar assim, esquece toda uma quantidade enorme de momentos de aprendizagem acompanhados de várias quedas de rabo no chão. Quanta coordenação de terminações nervosas e músculos para conseguir o equilíbrio pretendido e poder efectivamente deslocar-se de um ponto ao outro do espaço mantendo o equilíbrio.

O ser humano está em contínuo desenvolvimento e não poucas vezes vai caindo ao longo do percurso por ainda não ter descoberto a simplicidade que lhe permite ser quem é e atingir os seus objectivos de forma optimizada. Porém, esta simplicidade aparente está ligada a uma complexidade enorme interior, de acontecimentos nervosos e organísmicos em contínuo, de muitos erros e consequentemente muitas aprendizagens.

Um psicoterapeura, um coach, tem que traduzir a complexidade de um esquema de reforço positivo aleatório, uma hierarquia de valores, um conflito interior, numa simplicidade de momento a momento na devolução ao seu cliente. O que parece simples, é na verdade, cimentado em complexidade e muito grande apreendida por muito tempo de aprendizagem formal, informal e de experiência.

A naturalidade que resulta da experiência e formação de profissionais credenciados traduz-se numa aparência de simplicidade, quando na verdade necessita muita formação para ser alcançado.

Confiaria num psicoterapeuta para projetar uma ponte? Então porque é que tanta gente confia em pessoas sem formação específica para realizar actos psicológicos?

Uns objectivos podem ser melhores que outros.

De como os objectivos podem destruir uma vida. De como os objectivos podem reconstruir uma vida. Lembro-me de um professor que contava a história de um cliente que lhe falava assim:   – Sabe? Eu acho que a minha vida foi… a determinada altura olhei para um arranha céus e disse: “Vou subir este arranha-céus”. Pus a escada a jeito e fui subindo com gotas de suor e dores por todo o corpo, até ao topo. Chegado lá cima, olhei para baixo e pensei para mim mesmo: “Acho que subi o arranha-céus errado!”. Outro professor contava de um cliente que tinha chegado a todos os seus objectivos (carro de topo, carreira de topo, salário de topo e casa de topo) e mergulhou numa depressão profunda, lutando para redescobrir um sentido na sua vida. Há objectivos mais métricos como resultados de vendas, ou volume de produção que são mais fáceis de visualizar. No entanto, entrevistas com idosos todos dizem que gostariam de ter passado mais tempo com a família e menos no trabalho. Mais do que perseguir objectivos sem critério é preciso a coragem de percebermos, para começar, quais são realmente os objectivos que queremos  alcançar, escutarmo-nos a nós próprios e percebermos realmente qual é o sentido na nossa vida.

 

Viver aqui e agora.

Viver no aqui e agora é difícil em numerosas alturas na nossa vida. A ansiedade em que vivemos impele-nos muitas vezes a uma projecção no futuro por forma a controla-lo e a diminuir a probabilidade de acontecerem as coisas indesejadas que imaginamos virem na nossa direcção.

É fácil dizer “vive no aqui e agora” mas a dificuldade real desta prática faz com que as pessoas se vejam remetidas a maior parte das vezes para as preocupações que as assolam.

Como poderemos então avançar a experiência do aqui e agora?

Uma das abordagens é a abordagem da gratidão. A gratidão é um movimento de prolongamento no aqui e agora. Quando agradecemos o que temos, podemos contemplar a nossa realidade e usufruir dela por mais tempo. O facto de muitas vezes nos queixarmos, afasta-nos do momento presente. Do “aqui” porque estaríamos melhor num outro lugar e do “agora” porque nos projectamos num futuro que vai dar melhor conta das nossas necessidades.

Outra das abordagens é a da confiança. Todos os grandes mestres da humanidade que conheço sugerem que não nos preocupemos com o futuro. Uma das razões que vejo é que, em primeiro lugar, nós não fazemos a mínima ideia das variáveis que mudaram no futuro que projectamos (convenhamos que a nossa capacidade de prever o futuro é muito limitada) e em segundo lugar, e talvez a razão mais importante, será o nosso desconhecimento dos recursos que teremos disponíveis (pessoais e externos) quando o tal futuro que nos apoquenta tomar forma finalmente.

Não digo que viver o aqui e agora é fácil, que estar no presente é evidente, mas creio que vale a pena ir tentando e aprofundar as outras dimensões que podemos explorar em relação a este tema.