A importância de ser

Quantas vezes quis pôr limites aos outros e não conseguiu?

Na sua vida poucas coisas são tão importantes como correr o risco de ser quem é. Isto implica um contacto muito profundo com o mais íntimo de si próprio. Nada mais exigente. É muito mais fácil representar uma personagem, criar uma capa, usar uma máscara.

Quando era criança, você estava bem em contacto com aquilo que queria e normalmente isto foi variando e portanto o seu comportamento foi variando também, de acordo com um princípio que é de alegria e realização. Não sei bem a partir de que ponto da nossa vida, deixou de confiar nesta criatividade natural e sucumbiu às avaliações e intenções dos outros. Acabou por construir uma imagem mais ou menos rígida de si mesmo. Adicionando a isto o facto de começar a querer resultados específicos, usou-se a si próprio como um meio para um fim. Corre o risco, então, de se perder no caminho onde vivia o momento presente. Isto porque era sempre mais importante ser outra coisa, sacrificar quem é, em prol de um objectivo futuro.

Quantas vezes lhe apeteceu ser mais duro com alguém e não foi?

Uma das respostas é uma tendência que se instala com o passar dos anos, de não abertura à experiência. Se você viver com base no cálculo, vai desejar que a sua vida seja apenas da forma como imagina que ela deve ser. Não deixa que as coisas aconteçam com espontaneidade. Apetece-lhe dizer umas verdades ao seu patrão mas não as diz porque sabe que isso pode ter consequências negativas para si. Anula-se no que quer expressar porque tem medo do caminho que terá que trilhar se disser aquilo que acredita que deve dizer. E o que é que acontece aqui? Perco a minha identidade. Em vez de expressar a minha unicidade como pessoa fico com tudo mal resolvido dentro de si e não acontece no mundo o que tinha que acontecer ( mudança da situação, tomada de consciência e aprendizagem da pessoa que estava a errar, aprendizagem minha pela resposta da pessoa, etc.) Como, muitas vezes, é imprevisível o resultado da expressão autêntica, não corre esse risco (que tantas alegrias pode trazer) e prefere ficar com o resultado da sua auto-anulação porque, mesmo indesejável, considera como um mal menor, algo que traz a segurança do previsível.

“Quem sou eu, afinal?”

Um dos resultados da perda de autenticidade é que aos poucos a identidade se vai perdendo também. De tanto não confiar naquilo que vem espontaneamente de dentro de si vai começando a deixar de saber quem é, de perder a comunicação consigo, de saber o que quer. Este é um caminho muito doloroso pois não há agência mais importante do que expressar o ser único e irrepetível que é. A vontade é um dos pilares fundamentais da identidade por isso proponho-lhe, para ser quem é, comece por se perguntar sempre que se lembrar “Eu estou a ser eu mesmo?” “Eu tenho coragem para ser quem sou?”

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