Produtividade – a solução final.

Será que há uma solução final para a questão da produtividade? Eu creio que sim. Depois de passarmos por soluções mais pequenas, vamos chegar à solução que acaba por integra-las todas. Disposto a esta viagem?

Embora algumas pessoas possam não estar conscientes disso, de uma forma ou de outra, todos gostariam de ser mais produtivos. Se posso arrumar a casa em 2h em vez de 5h, porque não fazê-lo? Se posso fazer mais 10 telefonemas em vez de 5, no mesmo tempo, porque não fazê-lo. Ressalvando os casos em que a nossa excessiva dedicação ao trabalho nos pode trazer recuos em outras dimensões da nossa vida, como a saúde e as relações, a produtividade é algo de vantajoso para todos, quando usada de uma forma consciente. Mesmo assim a quase maioria das pessoas tem problemas com a sua produtividade.

Podemos enunciar várias causas para o problema da produtividade:

  • O sono – Como sabemos é da máxima importância dormir e dormir com qualidade. Isto é evidente para toda a gente, mesmo assim, muitas pessoas deitam-se tarde, consumem luz de ecrãs até adormecer, dormem em locais não destinados a um sono reparador pelo desconforto ou pela quantidade de estímulos que possui (desarrumação, barulhos, luzes), não tem um ritmo fixo de sono e não se deitam e levantam sempre à mesma hora. Há, é verdade, imensas coisas que podemos fazer para ter um sono reparador. Corrigir estes erros é um bom começo. Depois, conseguir gerar um ambiente o mais tranquilo possível para dormir, sem telemóveis, se possível ser luzes de aparelhos (comprar até um relógio despertador analógico), beber o menos possível antes de ir para a cama, não estar sobre o efeito de luz de ecrãs antes 1 ou 2h  de deitar. Há imensas coisas que se pode fazer para gararantir que o sono é reparador e poderemos explorar isso num próximo artigo.
  • A alimentação – Quanto a alimentação há pouco mais a dizer do que já foi dito. Comer de forma saudável. Porque é que é importante comer de forma saudável? Mais uma vez voltamos à questão dos ritmos, como acontece com o sono. Uma coisa é ter fome. Naturalmente podemos satisfazer esta necessidade. É simples, se estivermos a ingerir comida saudável. No entanto, se comermos comidas processadas que incluam estimulantes, como o glutamato monossódico, ou bebidas como o café ou certos chás e bebidas, isto vai transformar por completo a nossa tranquilidade. Depois do efeito de pico que este tipo de alimentos nos dão e após uma fase de manutenção do efeito estimulante, vamos passar a uma fase de abstinência que nos vai intranquilizar até à próxima ingestão. Esta intranquilidade é péssima para a produtividade. Desvia-nos a atenção da tarefa “Tenho que comer um bocado de chocolate, tenho que comer um bocado de chocolate” e obriga-nos até a parar para compensar a nossa falta da substância em falta no nosso organismo viciado. Por outro lado, se comermos comida saudável, sempre às mesmas horas, o nosso organismo já sabe o que vai acontecer e funciona dentro do ritmo. Rotinas são boas.
  • O exercício físico – Por enquanto é necessário lembrar que o nosso corpo não foi feito para estar parado o dia todo. É necessário fazer exercício físico. É uma possibilidade de expressão que não podemos deitar fora de maneira nenhuma: Como é que se sente quando faz exercício? Quanto à hora: varia de pessoa para pessoa mas faz mais sentido fazer exercício de manhã. O incrível é que ao gastar energia, se fica com muito mais energia pelo que, para a maioria das pessoas é melhor fazer de manhã. Acordar antes das 6h da manhã para correr ou fazer um cardio? Acha que consegue? Há uma imensa tribo a fazer isso no mundo. No fim da sua prática diária mexeu o seu corpo enquanto acordava, por isso deve ser a primeira coisa a fazer no dia, para ficar cheio de energia para o restante.  Se não está a fazer exercício físico regular todos os dias há muita energia acumulada em si que o vai impedir de estar focado no seu trabalho, já para não falar nos problemas físicos que aumentam a probabilidade de acontecer e que vão tirá-lo por mais tempo daquilo que gosta de fazer.

Chegar a uma vida com sono regulado, alimentação saudável e exercício físico regular é uma construção, dá trabalho. Então porque é que não consegue sequer começar em um deles?

Ter uma rotina que sustente isto tudo é importante. Muitas pessoas com resultados extraordinários tem uma rotina bem estruturada. A rotina permite-nos não perdermos demasiado tempo e energia com decisões que já podem estar padronizáveis e ajuda-nos a perceber que o tempo é limitado. Quando não definimos um limite de tempo para uma tarefa, tendemos a procrastinar.

A procrastinação é a principal inimiga da produtividade (deixaremos uma análise mais profunda para outros artigos). Dificilmente as pessoas que estão a conseguir pôr de pé os pilares da alimentação, sono e exercício físico, terão problemas de produtividade, mas pode acontecer. Então o que pode estar acontecer? Pode acontecer de eu ser perfeccionista e não me querer dedicar às tarefas porque não fico nunca satisfeito com o resultado, posso achar que não tenho competências para o que estou a fazer, posso não gostar da pessoa para quem estou a trabalhar, posso não perceber qual o propósito daquilo que estou a fazer e posso não perceber o sentido do meu trabalho e da minha vida.

Se bem que poderemos no futuro abordar outras questões como a gestão de interrupções, as pausas, as condições de vida e de trabalho,  as lideranças, a saúde (principalmente a mental), problemas pessoais, etc.,  vamos saltar já para o  ponto final. Qual é a solução final para o problema da produtividade? A solução tem vários nomes:

  • Liberdade. Podemos chamar-lhe liberdade. Se eu não me sentir livre não vou ser produtivo. Um escravo está sempre a ver como é que pode trabalhar menos e nós muitas vezes deixamo-nos escravizar. Dinheiro, estatuto, apreço dos outros, poder. Tudo coisas que queremos e pelas quais podemos correr o erro de ceder (um termo simpático) a nossa liberdade. Se não formos livres nunca seremos verdadeiramente produtivos. Podemos realizar muito trabalho com a pressão gerada mas nunca criaremos realmente o valor que temos dentro de nós para oferecer à humanidade. A pergunta que me posso colocar é “Sou realmente livre? Faço o que quero?”
  • Confiança. O meu caminho só eu o posso criar e a sua rota é um cálculo que envolve tantas variáveis que ninguém mais pode calcular. Talvez eu tenha sempre uma tendência para ser o ser único e irrepetível que existe no mundo e que vê e traz dimensões ao mundo que mais ninguém pode trazer. Sempre que estiver fora deste caminho não vou estar em fluxo, vou sofrer de resistências interiores e isso vai afectar a minha produtividade. A pergunta que me posso colocar é “Confio na convicção do que é o melhor para mim?”
  • Sentido. A falta de sentido afecta a produtividade de duas formas. Primeiro não estamos a encaixar bem todos os elementos e isso faz-nos perder tempo. Se não sabemos o que estamos a construir, temos dificuldade em saber como encaixar as peças . A segunda é porque nos obriga a parar. Porque é que eu estou a fazer isto, afinal? Se não sabemos para onde estamos a ir não sabemos o que temos que criar, que recursos reunir e a necessidade do esforço a depender. Que sentido é que isto faz? A pergunta seria “Que é que estou aqui a fazer?”
  • Serviço. Quando percebemos que estamos cá para pôr os nossos dons ao serviço dos outros, a nossa produtividade resolve-se. É uma falsa motivação se faço as coisas para satisfazer apenas as minhas necessidades. Elas não podem ser o centro. O movimento de criação, de construir para o outro, liberta-nos do enredo do egoísmo. A pergunta é “O que é que eu posso fazer pelos outros que mais ninguém pode fazer?”

Quando respondemos a estas questões da liberdade, confiança, sentido e serviço, quando as vivemos e dedicamos a nossa vida a resolvê-las, pelas escolhas que começamos a fazer, naturalmente a nossa vida se vai alinhar com a produtividade, vamos criar coisas incríveis nesse caminho. Até decidirmos trilhar este caminho de verdade vamos sempre depararmo-nos com a nossa falta de produtividade, que até acaba por ser uma boa coisa . Se não fosse assim, nunca chegaríamos a perceber tudo aquilo que somos capazes de fazer, a conhecer a pessoa fabulosa que somos.

 

 

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