Um psicoterapeuta a projectar uma ponte?

A minha experiência em coaching psicológico e psicoterapia individual e com grupos, faz-me chegar à conclusão que a aprendizagem da facilitação destes processos se assemelha bastante ao processo de aprendizagem do andar.

Para quem vê um adulto comum a andar parece uma manifestação da simplicidade. Porém, ao pensar assim, esquece toda uma quantidade enorme de momentos de aprendizagem acompanhados de várias quedas de rabo no chão. Quanta coordenação de terminações nervosas e músculos para conseguir o equilíbrio pretendido e poder efectivamente deslocar-se de um ponto ao outro do espaço mantendo o equilíbrio.

O ser humano está em contínuo desenvolvimento e não poucas vezes vai caindo ao longo do percurso por ainda não ter descoberto a simplicidade que lhe permite ser quem é e atingir os seus objectivos de forma optimizada. Porém, esta simplicidade aparente está ligada a uma complexidade enorme interior, de acontecimentos nervosos e organísmicos em contínuo, de muitos erros e consequentemente muitas aprendizagens.

Um psicoterapeura, um coach, tem que traduzir a complexidade de um esquema de reforço positivo aleatório, uma hierarquia de valores, um conflito interior, numa simplicidade de momento a momento na devolução ao seu cliente. O que parece simples, é na verdade, cimentado em complexidade e muito grande apreendida por muito tempo de aprendizagem formal, informal e de experiência.

A naturalidade que resulta da experiência e formação de profissionais credenciados traduz-se numa aparência de simplicidade, quando na verdade necessita muita formação para ser alcançado.

Confiaria num psicoterapeuta para projetar uma ponte? Então porque é que tanta gente confia em pessoas sem formação específica para realizar actos psicológicos?

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