O meu sonho de vida.

Em conversa com uma cliente estes dias, ela dizia-me que já não sabia o que era sonhar. Que tinha sonhado muito quando era mais nova, mas que de momento a energia lhe fugia toda para a sobrevivência.

Eu tento nunca me esquecer de sonhar. Sonhar é como fazer exercício físico com a alma. Só faz bem, embora também seja possível aprender a sonhar.

Um dos erros que podemos cometer ao sonhar é acharmos que o sonho implica directamente as nossas mãos. Isto é, que temos que ser nós próprios e sozinhos a desbravar o terreno até àquilo que sonhamos. Isto não é verdade porque o Universo é muito mais complexo do que possamos imaginar e nunca sabemos de onde virá a realização dos nossos sonhos. Nós fazemos parte importantissima da equação, é certo, mas nem sempre tão preponderante como possamos por vezes imaginar. As coisas podem acontecer de forma que nos ultrapassa. Já aconteceu a todos, com certeza.

Outro dos erros é comprar sonhos alheios. Seja de pessoas que conheçamos ou principalmente da informação circulante (anúncios publicitários, principalmente), muitas vezes damos por nós a sonhar com coisas que não são as que nós realmente queremos, como a casa, as férias ou o carro dos nossos sonhos que muitas vezes se tornam num pesadelo.

Um dia farei um workshop dedicado únicamente ao sonho: “Sonhar e como sonhar.”

Um dos meus sonhos acordados é poder continuar a viver como vivo. Trabalhar ao lado de casa, recebendo pessoas às quais posso ajudar a descobrir um sentido e um significado para a vida, às quais posso ajudar a irem em direcção a um futuro que desejam. Estar com a minha família todos os dias. Conversar, comer, jogar, filosofar, rezar e rir com eles. E depois por vezes viajar usando todas as competências que fui construindo ao longo dos anos para ajudar pessoas, grupos e empresas. Depois voltar para casa, para o meu sossego. Ainda há mais, mas virá depois com o engrandecer da coragem.

O que é o coaching?

Normalmente, nos meios em que me movimento, aqui e ali, me surge esta questão. Muitas pessoas me perguntam o que é o coaching e dão ar de quem gostaria que a explicação não fosse muito complicada.

Este serviço começou nos E.U.A. apenas para executivos endinheirados que se podiam dar ao luxo de pagar a um profissional para se dedicar durante um período limitado de tempo a trabalhar na direcção dos objectivos daqueles.

Embora nos Estados Unidos e Reino Unido este seja um serviço com algumas décadas, acaba por ser relativamente novo em Portugal.

Então o que é mesmo o coaching?

O coaching é um processo em que o coachee (cliente) se projecta para um futuro desejado. Seja uma meta de vendas, de angariação de clientes, um processo de perda de peso, a perda de um hábito tóxico, conseguir dedicar mais tempo à família, melhorar alguma competência de trabalho ou uma soft skill, o coachee põe-se em marcha para um futuro que pretende, diferente do seu presente real. Este processo de mudança não aparece sem dificuldades, interiores e exteriores. O papel do coach é ajuda-lo a clarificar bem o que quer e ajuda-lo a vencer essas dificuldades para alcançar objectivo pretendido.

Acredita que tem mais para dar do que o que anda efectivamente a conseguir? Talvez ainda não esteja consciente de todos os recursos que tem ao seu dispor. Quando quiser, continuamos esta conversa.

Viver aqui e agora.

Viver no aqui e agora é difícil em numerosas alturas na nossa vida. A ansiedade em que vivemos impele-nos muitas vezes a uma projecção no futuro por forma a controla-lo e a diminuir a probabilidade de acontecerem as coisas indesejadas que imaginamos virem na nossa direcção.

É fácil dizer “vive no aqui e agora” mas a dificuldade real desta prática faz com que as pessoas se vejam remetidas a maior parte das vezes para as preocupações que as assolam.

Como poderemos então avançar a experiência do aqui e agora?

Uma das abordagens é a abordagem da gratidão. A gratidão é um movimento de prolongamento no aqui e agora. Quando agradecemos o que temos, podemos contemplar a nossa realidade e usufruir dela por mais tempo. O facto de muitas vezes nos queixarmos, afasta-nos do momento presente. Do “aqui” porque estaríamos melhor num outro lugar e do “agora” porque nos projectamos num futuro que vai dar melhor conta das nossas necessidades.

Outra das abordagens é a da confiança. Todos os grandes mestres da humanidade que conheço sugerem que não nos preocupemos com o futuro. Uma das razões que vejo é que, em primeiro lugar, nós não fazemos a mínima ideia das variáveis que mudaram no futuro que projectamos (convenhamos que a nossa capacidade de prever o futuro é muito limitada) e em segundo lugar, e talvez a razão mais importante, será o nosso desconhecimento dos recursos que teremos disponíveis (pessoais e externos) quando o tal futuro que nos apoquenta tomar forma finalmente.

Não digo que viver o aqui e agora é fácil, que estar no presente é evidente, mas creio que vale a pena ir tentando e aprofundar as outras dimensões que podemos explorar em relação a este tema.